E ao chegar lá deparou-se com uma cena que nunca esqueceria e o perturbaria pelo resto de seus dias, como um espectro noturno sempre a espera de uma oportunidade para esgueirar-se por seu ser trazendo consigo a dor da lembrança.
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A luz da lua iluminava de forma precária as duas silhuetas presentes na sacada, era quase impossível reconhecer-lhes a feição, somente um detalhe era visível de onde Ethan estava, eram um homem e uma mulher.
A luz dos candelabros bruxuleava vivamente iluminando com um tom de amarelo a cena que se desenrolava bem em frente à seus olhos.
Ethan sentiu o ar faltar e o coração se apertar como se uma mão invisível o estivesse esmagando. Ele conhecia a mulher, era sua musa, sua ninfa perfeita, seu crepúsculo incandescente...E agora estava ali nos braços de outro, se ele ao menos pudesse reconhece-lo...
Evelyn se encontrava em meio à bruma, confusa e pálida, sem consciência do que a cercava, sentia uma mão envolver lhe a nuca e os cabelos que agora estavam soltos caindo-lhe pelas espáduas como uma cascata de fogo, seus olhos estavam fixos, presos aos olhos negros como a noite que tinha a sua frente.
O estranho a envolvia pela cintura aproximando-se mais e mais a cada instante, ela sentia seu corpo grudado ao dele, enquanto seus cabelos eram puxados para trás o que fazia com quem ela se inclinasse deixando a boca e o queixo totalmente expostos ao estranho que a comia com os olhos.
Ela sentia que ele podia ver sua alma, navegando por seus pensamentos e correndo junto com o desejo existente em sua corrente sanguínea, ela sentia-se quente, fervendo, e queria muito, muito mesmo que ele a beijasse e fizesse o que quisesse com ela, a tensão sexual entre eles era quase palpável.