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domingo, 9 de outubro de 2011

Tatuagens do amor (Parte Final)


Rio de Janeiro, Fevereiro de 2001.

Anthony já não era o mesmo, era como um espectro do que fora, sentia a ausência de Alice como a de um braço ou perna amputados, só que no caso dele era ainda pior, não era só a dor física que a ausência dela causava, por dentro ele estava destruído, tudo o que era luz nele se extinguira e tudo que restara era um grande buraco negro que sugava toda a possibilidade de felicidade que lhe restava.
Ele tentava ser feliz, pelo menos nos primeiros meses tentara, pois ele sabia que onde quer que sua linda e decidida Alice estivesse ela gostaria de vê-lo feliz, ela era assim, como uma leoa defendendo aqueles que gostava, ela fazia de tudo para vê-los sorrir, algumas vezes até mascarava a própria dor, fingindo uma alegria que não sentia. Era excepcional.
Anthony não podia entender como ela, justo ela, teve que partir tão cedo, deixando-o sozinho em meio a escuridão quando prometera estar com ele por muito tempo, envelhecer com ele até terem que comer só sopa por não terem mais dentes.
A única coisa que lhe restara era o trabalho, e ele se jogava nele com toda sua energia. Seus familiares e amigos tentaram de varias formas resgata-lo dessa melancolia que o envolvia como um escudo forte, doloroso e denso. Mas eles não sabiam que o que eles viam era somente a ponta do Iceberg, se eles soubessem o que ele sentia, todas as vezes que chegava em casa, e inconscientemente esperava por ela, nessas horas o vazio era terrível, todas as lembranças o invadia como tiros de metralhadora, rasgando-o em todas as direções possíveis.
A vida já não tinha sentido, viver para  trabalho não é realmente viver, ele não sabia o que era alegria desde o fatídico dia, o dia em que ele perdera tudo...


domingo, 18 de setembro de 2011

Tatuagens do Amor (Parte IV)


São Paulo, Dezembro de 2011

Ele sorria candidamente em meio aos espasmos que dominavam seu corpo, aparentemente feliz, mas a boca de Anthony abria-se em pequenos sussurros que vazavam de sua alma, a lembrança de um passado que nunca pode aceitar e esquecer, porque foi algo que ele não pode impedir e nem prever. Ele não pôde fazer nada para corrigir...
Rio de Janeiro, Dezembro de 2000.

A cama ainda estava desarrumada, os travesseiros amassados e o chuveiro ligado quando Alice voltou com o café da manhã, era costume dos dois revezarem a cada dia, quem traria o café da manhã, assim adiantavam o banho e podiam tomar café juntos. Desde que eles se casaram estabeleceram uma rotina simples e satisfatória.
_Anthony, café tá pronto – disse ela sentando-se na cama dossel do casal, cruzando as pernas e deixando suas formas bem definidas a mostra pela abertura do roupão enquanto esperava por ele.
Poucos segundos Anthony sai do chuveiro e se depara com ela com um olhar perdido, ele se aproxima enxugando os cabelos e a beija delicadamente.
_Bom dia!
_Oi – responde ela puxando-o para um abraço apertado e beijando-o.
_Não faça isso, é tortura, temos que trabalhar, você sabe.
_Porque não faltamos hoje? – pergunta ela insinuante.
_Porque não podemos, eu tenho reunião hoje a tarde.
_Droga – disse ela fazendo beicinho – se é assim, vamos tomar nosso café antes que esfrie, depois você se veste, coloque o roupão vermelho.
_Onde está?
_Atrás da porta – respondeu ela rindo de sua grande cabeça oca.
Anthony vestiu o roupão e eles desceram lado a lado pra cozinha e tomaram um café da manhã tranquilo e feliz, como sempre. Algo parecia incomodar Alice, ele podia ver em seus olhos o lampejo de algo, mas ele não sabia o que, e quando ele perguntou ela disse que não era nada.
_Até mais tarde amor, amo você – disse ele segurando-a pela cintura para beija-la.
O beijo foi doce e com um gosto estranho de despedida que o deixou novamente preocupado, mas ele resolveu deixar de lado, deveria ser coisa de sua cabeça.


sábado, 13 de agosto de 2011

Tatuagens do amor (Parte III)

São Paulo, Dezembro de 2011

Anthony vagava pelos terrenos incertos e funestos de sua memoria, navegando entre desejos que nunca se realizariam, afinal o relógio não volto e aquilo que se perde jamais retorna, ao menos, não da mesma forma.
Ele delirava, gemendo e chorando enquanto continuava com seus pesadelos e delírios, seus olhos fechados se reviravam nas orbitas percorrendo as memorias do que um dia fora.
Mas aquele já não era ele e nunca mais seria tão pouco.

Rio de Janeiro, Maio de 2000.

O dia amanhecia no horizonte, mas Anthony e Alice não se importavam, deitados sobre um cobertor xadrez sob a relva coberta de orvalho, a única coisa da qual tinham consciência era o fato de que hoje era um novo dia para eles, e que, esse dia, mudaria tudo.
De dedos entrelaçados eles observavam encantados enquanto o dia substituía a noite e tudo o que era escuridão se transformava totalmente, o lago, alguns metros diante deles era um exemplo disso, suas aguas antes negras como o véu da morte, agora cintilavam como se pó de diamante tivesse sido jogado sob ele.
Alice se sentia extremamente satisfeita nos braços de Anthony, protegida e em paz enquanto ele acariciava seus cabelos.
_É tão lindo aqui – disse ela virando-se para encara-lo.
_Sim, é como um mundo paralelo em que nada de ruim pode acontecer – respondeu ele, seus olhos abrindo-se para encara-la.
_Mas eu sempre me sinto assim ao seu lado – respondeu ela sorrindo e aconchegando-se mais ainda à ele. Seu corpo quente era o que a aquecia na manha gélida, como uma ancora firme e forte segurando-a contra as tempestades.
_Boba – disse ele inclinando-se para beija-la.
Eles permaneceram assim, sem se preocupar com nada além do calor de seus corpos em contato, eles nem mesmo se preocupavam com o dia atarefado que teriam, tudo que existia para eles naquele momento era a consciência da presença do outro, um outro que sentiam  como uma parte de si mesmo reencontrada, como almas gêmeas, metades de um mesmo ser uno separado no inicio dos tempos, para se reencontrar através das eras imemoráveis.
_Alice! – chamou alguém que descia pelo gramado em direção a eles.
Alice apoiou-se sobre um cotovelo para ver de quem se tratava, sua prima e melhor amiga Mia descia correndo com a face afogueada em sua direção, seguida de perto pelo melhor amigo de Anthony, Erik.
Os cabelos dourados, longos e encaracolados, de Mia voavam pelo ar a sua volta, seus olhos castanhos mel brilhavam, seus lábios curvados em um sorriso, ela chegou primeiro e jogou-se ao lado de Alice respirando ruidosamente.
Erik chegou logo em seguida, seus cabelos tão dourados quanto os de Mia, mas lisos, estavam bagunçados no topo de sua cabeça concedendo-lhe uma aparência rebelde, e seus olhos azuis vibravam de energia. Ele sentou-se ao lado de Anthony e suspirou, seus olhos encontraram os de Alice e ele sorriu. Ela se sentia feliz com a amizade e cumplicidade estabelecidas entre os amigos dela e os de Anthony, que agora, eram de ambos, e, simplesmente satisfeitíssima quando descobriu que Erika e Mia estavam juntos.
_Al, acho que vocês já tiveram comodidade e pré-lua-de-mel o suficiente, temos taaaanto a fazer! Vamos! – começou Mia logo que sentiu que sua respiração havia normalizado.
_Você também Tony, levanta essa bunda feia dai que temos que organizar as coisas antes de você se enforcar...
Alice levantou-se e deu um tapa no braço de Erik que fingiu sentir dor, mas infelizmente, ela tinha consciência que fora como cocegas para ele. Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa foi rebocada por uma Mia falsamente carrancuda e impaciente.
Anthony segurou na mão direita dela enquanto ela se afastava, seus olhos se perdiam nos dela e ele sorria em paz, seu corpo totalmente relaxado até seus dedos se soltarem, que foi quando Alice virou-se, soltou-se de Mia e pulou novamente nos braços dele que a seguraram contra si em um abraço. Seus lábios tocaram os dela em regozijo, era como uma explosão de energia e calor que irradiava do corpo dela para o dele, mas que acabou cedo demais, pois antes que eles pudessem aprofundar o beijo, Alice foi praticamente arrastada de seus braços por uma Mia aparentemente furiosa, mas em seus olhos brilhava uma alegria genuína.
_Larga! Vocês terão tempo para essa melação depois do casório, guardem as energias para a lua de mel! – disse Mia piscando maliciosamente para Anthony.
_Isso ai! – completou Erik que rebocava um Anthony sorridente para o outro lado – afinal, não queremos que você durma e não dê conta do recado Tony.
Anthony bufou, mas seu sorriso, se fosse possível, era ainda maior, e ele seguiu o amigo enquanto Alice seguia para o lado contrário com Mia.
Faltavam menos de 12 horas para serem finalmente um perante a sociedade, Anthony mal podia conter o nervosismo e a ansiedade que o consumiam, afinal, Alice seria sua e ele seria dela, totalmente, pensava ele enquanto prosseguia com os preparativos.
Alice estava corada, sua imaginação e pensamentos voavam longe e ela desejava com cada bater de seu coração, cada célula de seu corpo, o momento em que finalmente diria SIM a sua nova vida, uma vida que ela desejara ter desde que o vira naquela manha estranha e remota, em que ela sabia, seu destino havia mudado e com ele toda sua existência, para melhor, claro.
Anthony já estava pronto e em frente aos parentes e amigos que seriam as testemunhas de seu renascimento, todos os lugares já estavam ocupados e os padrinhos e madrinhas se enfileiravam ao seu lado, tanto direita, quanto esquerda, apoiando-o em silencio enquanto ele esperava por ela.
O sol ainda brilhava no horizonte, mas já era fraco e logo seria noite, o ceu estava limpo e azul, as cadeiras estavam distribuídas em fileiras, entre elas um tapete vermelho se estendia, o mesmo que forrava o chão em que Anthony pisava juntamente com os padrinhos, madrinhas e o pastor que estava dois passos atrás de Anthony sob o pequeno altar improvisado. O campo em que eles estavam era de grama verde e bem aparada e um 500 metros a direita ficava o lago em que ele e Alice haviam passado sua ultima noite de solteiros.
A marcha nupcial começou a tocar, era uma musica um pouco diferente, era rock, rock gótico, ou sinfônico como Alice dizia, que era o gênero musical preferido dela, mas ele não conseguia raciocina, tudo o que ele via era Alice, a coisa mais linda que ele já havia visto, ela parecia um anjo, seu vestido branco com detalhes em vermelho realçava perfeitamente suas curvas perfeitas, seu busto e cintura eram delineados por um corpete que se estendia em uma saia que ia um pouco abaixo de seu joelho, era um pouco rodado também, pouco. O vestido todo possuía detalhes em vermelho que contrastavam com o branco como sangue na neve. Seu cabelo negro estava preso em uma espécie de coque bagunçado e sob seus cabelos havia um pequeno véu que ia até o meio de suas costas, em suas mãos havia um buque de rosas vermelhas, e elas estavam envolvidas por uma espécie de mini luva branca, ele sorriu, “tão Alice, perfeita”, pensou Anthony mal podendo conter a alegria que o inundava, era quase inacreditável para ele que ela se dirigia a ele, que era ele que ela amava e seria sua até o fim dos tempos.
O sorrido dela brilhava quase ofuscante, ela sentia que suas bochechas se rasgariam de tanto sorrir, a sua frente, Anthony também sorria, seu sorriso inspirava paixão e felicidade plenas, “tão lindo” pensou ela dirigindo-se ao encontro dele. Anthony estava de Smoking preto com detalhes em preto fosco, seu cabelo cuidadosamente arrepiado lhe dava um ar de selvageria comportada que a fazia ofegar, e seus olhos, seus olhos brilhavam, tão quentes, tão lindos, um mar verde no qual ela queria se lançar, sem se importar que todos aqueles que lhes eram caros estavam ali observando.
A atmosfera de felicidade era quase palpável, ela sentia o leve roçar da pele dela contra a de seu pai que lhe sorria timidamente, seus olhos estavam marejados de lagrimas, assim como os dela, enquanto ele a entregava a Anthony.
Eles pararam por um minuto e olharam um no olho do outro, azul no verde, e ela colocou seu braço no dele para irem até o altar, o sorriso continuava como pregado em seu rosto, ela simplesmente não conseguia parar de sorrir, e ela imaginava que o mesmo acontecia com Anthony.
A cerimonia transcorria calmamente, e a hora tão esperada chegara, eles viraram-se, segurando as mãos um do outro e ficaram frente-a-frente.
_Alice Katharyna Hope, você aceita Anthony Nebel como seu legitimo esposo, na saúde na doença, na riqueza e na pobreza até que a morte os separe?
_Sim. Anthony Nebel, prometo amar-te e respeitar-te, sendo lhe fiel, seja nos momentos de alegria ou na tristeza, na saúde e na doença, por toda a minha vida e além dela, zelando pelo vosso amor e alegria.
_Anthony Nebel, você aceita Alice Katharyna Hope como sua legitima esposa, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza até que a morte os separe?
_Sim. Alice Katharyna Hope, prometo respeitar-te amar-te , sendo lhe fiel, até mesmo na sua TPM e até mesmo se virarmos sem teto, por toda a minha vida e além dela, zelando por vosso amor e alegria.
_Eu os declaro marido e mulher, pode beijar a noiva- declarou o pastor.
E Alice e Anthony mergulharam um nos braços do outro, como um naufrago em busca de algo em que se apoiar, e beijaram-se intensamente enquanto o crepúsculo descia e a noite chegava, trazendo consigo uma lua nova brilhante e um céu cheio de estrelas que para eles, significava o começo de uma nova vida.


Continua...



sábado, 4 de junho de 2011

Tatuagens do amor (Parte II)

São Paulo, Dezembro de 2011.

Aya, a enfermeira, se encontrava impaciente em seu turno da madrugada, afinal, na manhã seguinte tinha muitas coisas a fazer, como comprar os itens necessários para a ceia de Natal que teria que preparar as pressas, já que seus adoráveis sogros decidiram na noite anterior vir passar a noite de natal com seu filho adorado e a nora querida, esse fato soaria de certa forma adorável se não fosse pelo fato de que eles odiavam Aya,  e cada encontro ocorrido entre eles era um suplicio, pois eles sempre deixavam bem claras suas preferencias por uma antiga namorada de Carlos, Andrea, a doce e adorável Andrea.
E enquanto a cabeça de Aya era dominada por um furacão de pensamentos, o alerta do quarto 52 soava sem que ninguém o escutasse, e Anthony abandonado se debatia perdido em seus devaneios, ou lembranças, ele já não sabia distingui-las.

***

Rio de Janeiro, Fevereiro de 2000.

A lua pálida brilhava por trás da poluição, acompanhada pelas estrelas, mal era possível vê-las. As suas costas Anthony escutou um pesado suspiro e sentiu-se enlaçar, o toque quente e o perfume suave e ao mesmo tempo forte o fizeram ter a sensação de lar. Alice...Seu lar já não era onde residisse, e sim, onde ela estivesse, não importando onde fosse, ele acreditava que até mesmo no inferno se sentiria bem, se ela também estivesse lá. Sentindo-se mais tranquilo envolveu suas pequenas mãos nas suas, que estavam frias.
_Eu já não sei o que fazer Thony, parece que nada dá certo, tudo parece estar contra mim, sinto que a qualquer momento desmoronarei – virando-se para que ele a encarasse, Alice prendeu seus olhos nos dele e colocando suas mãos na nuca de Anthony o trouxe para mais próximo de si, colando suas testas, com os olhos derramando-se nos dele como se uma linha invisível os conectasse – mas ai me lembro que tenho você, e sinto que não importa quem  ou o que esteja contra mim, contra nós – corrigiu-se sorrindo – juntos podemos enfrentar qualquer coisa.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Tatuagens do amor

Por que algumas tatuagens são feitas na alma.

Anthony despertou de seu sono induzido um tanto quanto atordoado, lembrava-se vagamente da noite anterior, a única coisa que sabia, de fato, era que tivera outro de seus surtos, sabe-se lá o que teria feito, mas sentia que em breve descobriria.
Ainda atordoado tentou se levantar, mas sua cabeça parecia pesada demais para  seu corpo, e ele caiu na cama novamente. Após algum esforço conseguiu sentar-se á beira da cama.
O quarto totalmente branco lhe dava náuseas, Anthony não aguentava mais aquilo, era como uma tortura, mas ainda pior do que a qual era exposto todas as noites, com aquelas vozes e fantasmas que o atormentavam a alma, por vezes ele tinha consciência de que eram irreais, e provavelmente delírios causados por ele próprio e sua imaginação, ou fortes remédios, os quais era obrigado a ingerir. Mas algumas vezes, existiam certas coisas, certos momentos em que ele sentia como todo o seu ser que aquilo era real, e eram essas as suas piores crises, nas quais ficava totalmente incontrolável, e os psiquiatras não tinham outra escolha, a não ser sedá-lo, e era assim que ele, Anthony Nebel, passava os seus dias, parcialmente sedado.
Naquele quarto terrivelmente branco, havia somente uma cama, uma mesa de cabeceira, um cavalete de pintura com vários papéis, e ao lado desta, uma pequena mesa onde eram deixados, giz de cera e tinta, que costumavam acalmar Anthony. Naquele lugar não havia noção de tempo, as horas simplesmente não existiam, principalmente os dias, meses e anos, por isso ele não tinha a menor idéia de quanto tempo já se passara desde que ele se internara  naquele manicômio.
Ele se lembrava claramente de como tudo começara, e como fora parar naquele lugar, que talvez, e só talvez, fosse o melhor lugar que ele poderia estar, pois ali ele não atrapalharia, e nem machucaria ninguém, em momentos como os da noite passada, em que ele já não sabia quem era.


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