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quarta-feira, 15 de julho de 2015

Anacrônico

Não sei a quem pertence a imagem, por mais que tentei encontrar, não achei a fonte original dela. 
Agradeço se alguém souber e puder me dizer. Obrigada.



Sentindo o vazio a solidão penetra por baixo da porta. Somos seres tão tristes... Observando os carros passando e as luzes brilhando... Brilhando. A lua na imensidão saindo de foco. A garrafa escapando por entre os dedos. Buscando sentir o infinito. Os braços estendidos em direção a via láctea. Os olhos abertos, o sorriso estampado. O mundo é um borrão colorido, repleto de vida e pulsa dentro de você. Você se sente parte de algo. As mãos se tocam desesperadas buscando conforto. Os lábios afoitos se buscam. Somos seres tão tristes e vazios... O suor escorrendo pelo corpo em movimento rítmico. Os ruídos ascendendo aos céus, a fricção dos corpos harmoniosamente flutuando pelo apartamento pequeno. As mãos agarrando-se  buscando conforto. No ápice há a constatação, o vazio chega como um soco no estomago. Sentindo tudo, as ondas de desespero. Um nó se formando na garganta, as lágrimas silenciosas escorrendo pela face borrada de maquiagem.... Somos seres tão tristes... Todo seu ser parece encolher. Não existe nada no mundo, somente o vazio. Com desespero você procura algo que te faça sentir parte de algo. Ansiando pertencer a algo que tenha um significado maior do que tudo isso. A vida não deveria ser algo bom? As luzes a piscar em sua retina, os prédios repletos de pessoas vazias vivendo suas vidas medíocres. As pichações contrastando em prédios precários. Os passos ecoando no silêncio. O frio a doer os ossos, os cabelos a voar ao vento. Ah a noite é tão linda. As estrelas no céu são um borrão tão lindo... Somos seres tão tristes... tão tristes... Sentada em um vaso em um lugar qualquer, você sente o mundo girando. Só um pouco... E respira fundo, sentindo a química invadir o seu corpo. Somos seres tão tristes... A sua volta sorrisos de plástico explodem e brilham no ritmo da música alta. Seu corpo se movimenta rapidamente, a vida é um carrossel de sensações, as bocas se beijam, se invadem, se devoram. Os corpos misturados em meio aos lençóis, enroscando-se enquanto o sol nasce no horizonte. Você já não sabe quanto tempo faz ou que dia é hoje, tudo o que importa é sentir algo, sentir tudo isso. Buscando o significado de tudo e tentando entender que diabos é o objetivo por trás. As luzes brilham em seus olhos de vidro. Vazios. Desesperados. Somos seres tão tristes... Tudo o que você deseja é saber porque, é ser amada, é saber que valeu a pena. Os dedos moles e molhados caem em torno das pernas. A poça vermelha a inundar o chão do banheiro de um lugar que você já não sabe onde é, mas isso já não faz diferença. Sentindo tudo isso. Os olhos se fecham e uma última lágrima escapa dos olhos que já não veem. Um último suspiro, um ultimo sopro de vida e então se foi. Somos seres tão tristes... tão tristes... Eu vejo você caindo, seus olhos se fechando e escuridão a absorvendo, talvez haja tempo. Mas ah somos seres tão tristes e eu já não sei para onde vou.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Crônica: Seus silêncios



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Imagem do Anime NANA - Ai Yazawa.


Os dias passaram rápida e preguiçosamente e o perfume das jasmins primaveris perdeu-se no cheiro ocre de suor daquele verão em que eu a perdi. 
Não posso dizer que foi de forma repentina ou mesmo injusta, os sinais estavam lá, no sorriso triste com que ela me brindava sempre que eu dizia algo referindo-me a nós no futuro. E a forma dura com que seu corpo se moldava ao meu sem paixão e calor, somente motivado pelo costume, uma espécie de sentimento de obrigação para com o outro após anos de cumplicidade e familiaridade, é compreensível e completamente normal se sentir assim, por vezes inclusive me questiono sobre o quão difícil foi para ela tomar essa decisão. E quando penso que a infelicidade estava estampada em seu ser, não deixo de me sentir culpado, me questionando se fui eu o motivo daquele sofrimento, se a minha existência causou aquela dor profunda e silenciosamente gritante em seus olhos. 
As vezes penso que sou muito passivo e muitas vezes já me senti como um peixe que segue o fluxo do rio. Não que eu não questione as coisas, ou faça escolhas medindo suas conseqüências, eu simplesmente não tenho planos ou objetivos, a vida me carrega em seu fluxo interminável. Me pergunto se isso é errado ou uma falha de caráter. 
Nesse momento todos parecem ter medo que eu comece a chorar ou tenha uma crise a qualquer momento. 
Não consigo entender tal preocupação, será que por ter sido largado eu deveria desmoronar? É isso que a sociedade e suas etiquetas morais ridículas espera de mim? Terei sido presenteado com o rótulo de “perdedor” simplesmente por ter “perdido” um amor? 
A verdade é que não me sinto mal, talvez seja letargia e em breve eu tenha alguma crise psicótica e me atire de algum prédio deixando para trás somente a minha ausência e um bom whisky. 
Infelizmente para alguns, não pensa que isso venha a ocorrer. Em verdade, nem mesmo sei porque ainda estávamos juntos, o motivo de nosso relacionamento ter perdurado me é desconhecido. A meu ver as pessoas falam demais de amor. É amor pra cá, amor pra lá e ele justifica tudo. Porém, será que elas sequer sabem o que é o amor?  
Sei que paixão queima por dentro, nubla a mente e dá um tesão da porra, mas e o amor? Qual é a dele afinal? 
Talvez o fato de eu não saber essa resposta seja toda a resposta que eu precisava e o problema seja mesmo a minha incapacidade de realmente me importar com algo de forma fervorosa e com toda a força do meu ser alquebrado. 
E seus silêncios tenham sido os gritos mais estridentes que eu me recusei a ouvir.

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